Semana passada

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Semana da pesada

Estou há um tempinho sem escrever porque passei uma semana brava, estava estressada de verdade!

Outro dia vi uma reportagem na TV que falava sobre ser mãe e trabalhar fora, que não existe mãe sem culpa. Fiquei pensando sobre isso e cheguei à conclusão de que não me sinto culpada por trabalhar fora, mas muitas vezes me sinto sobrecarregada com meu excesso de funções.

Minha mãe sempre trabalhou fora, e sempre foi super participativa na minha vida; nunca senti falta de ter minha mãe por perto, pois apesar de sempre ter trabalhado, ela conseguia conciliar as funções. Hoje sei o quanto isso deve ter lhe custado caro…

Mas voltando ao meu estresse da semana passada, sabe quando parece que o mundo está sobre suas costas?

No hospital público onde trabalho, a enfermaria está lotada de pacientes crônicos, sem prognóstico… sabe o que é olhar nos olhos de uma pessoa e dizer a ela que seu ente querido não tem mais solução? Claro que tenho que usar todo meu “jeitinho” para dizer isso, mas há jeito para se dizer isso?? Utilizo aquelas frases prontas do tipo: “É uma questão de tempo, mas sou médica e não Deus para dizer”, ou então, “na medicina não há mais o que ser feito, mas faremos tudo para dar-lhe conforto e dignidade”.

É duro demais! E às vezes são pessoas tão humildes que ficam te olhando e não entendem o que você está querendo dizer, e não posso simplesmente dizer: “Ele está morrendo, não vê?”  É claro que não vê, quem quer ver uma coisa dessas?

Também tive que fazer um relatório judicial sobre uma paciente de 14 anos que sofre maus tratos. O hospital recebeu um ofício de que a menina não poderá ser entregue à família quando estiver de alta. Dá para imaginar? A menina teve paralisia cerebral, é acamada, se alimenta por sonda (ou pelo menos deveria se alimentar, porque está tão desnutrida que não deve pesar mais de 20 kg).

No consultório também foi barra pesada: um rapaz de 30 e poucos anos veio com queixa de formigamentos pelo corpo, e quando comecei a perguntar ele me disse que na verdade tudo começou há 1 ano quando perdeu um filho recém-nascido na maternidade, por erro médico… e lá vai toda história…

Outra me conta que a depressão não melhorou nada, continua muito angustiada, triste, não quer levantar da cama, o marido não entende, acha que é preguiçosa, é só a procura quando quer fazer sexo “e se aliviar em cima dela” (Socorro!!!! isso não é pesado demais? Por favor senhora, seu caso deve ser tratado por psiquiatra!)

Uma mãe vem com a filha adolescente que completou 17 anos na semana anterior, a festa de aniversário foi em uma “rave” (é assim que escreve?) e ela beijou 17 caras: um para cada ano de vida!! Tenho que achar isso normal? É essa a juventude de hoje?

Quem sofreu as consequências disso tudo foi o pobre do meu marido… Ele apanhou sem merecer (quer dizer, mais ou menos…). Estamos fazendo umas reforminhas aqui em casa, e não dá para acreditar em pedreiro quando eles dizem que “não vai fazer muita sujeira”, dá? Pois ele acredita, e o resultado é o apartamento em obras, as crianças estressadas, a babá mais ainda e o serviço da faxineira não aparece, pois ela limpa e logo tem alguém sujando atrás…

Falando em babá, com o pó todo que estava por aqui, associado ao clima seco dos últimos dias e ao tempo longo que passa em ônibus, ela ficou doente, e FALTOU!! O que faz uma mãe que trabalha fora cuja babá falta? Respira fundo, finge que não está desesperada e avisa aos pequenos que passarão o dia todo na escola…

No final de semana foram os pequenos que não ficaram muito bem: tosse, nariz escorrendo, inapetência e aquela chatice própria das crianças quando estão doentinhas…

Foi mais ou menos isso o que aconteceu, mas já estou me recuperando, outra semana já começou, e assim vou seguindo minha jornada…

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